observo a terra à vista.
tão extensa, excitante,
permissiva e apavorante,
como nunca aparentou
nesse ainda antes
de vinte e cinco.
já não me sinto infinita
como há meia ou uma década.
afinal, cá sou eu.
um ser à beira (e) limitado
por uma série de dermes,
entranhas, cravos e vermes,
vivendo dentro deste
pequeno espaço
de corpo.
portanto, se para ser
findável ou finita
é preciso estar sempre,
sempre, sempre,
vivendo no limite
(de si mesmo),
cá estou
descobrindo em
ciclos humanos
o mesmo limite:
existir é,
numa análise bem
simplista,
ocupar este espaço
(pedaço de carne ou
morada do espírito,
quem sabe),
enquanto o fôlego durar.
(somos todos infinitamente findáveis)
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18.4.13
1.2.12
sob a onda da tristeza avistei o sol
cheguei ao fim da ladeira, de baixo para cima, e logo vi: ele de cara fechada, ela de costas para mim, um em direção ao outro. minha cabeça estava tão longe de onde eu estava que considero um golpe de sorte ter presenciado aquele encontro. os corpos dos dois se aproximaram, sem qualquer significação, e foi pensando nas angústias da minha alma que fixei os olhos naquela direção e me enchi de alguma emoção qualquer, bonita, confusa e um tanto invejosa: os ombros dos dois se tocaram e os seus rostos se viraram, se encararam. e sorriram, os dois, um para o outro. e pararam de caminhar, se olhando, simplesmente se olhando. ninguém poderia esperar nada daquele momento tão insignificante para o resto do mundo, mas por aquele sorriso, por aqueles olhos, tenho certeza que, ao menos para ele, todos os outros significados não importaram, e naquele momento, enquanto ninguém esperava nada, um mundo de expectativas passaram diante daqueles olhos, daqueles brilhantes e profundos olhos.
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