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30.12.14

stardust de mim

no fundo de tudo,
no fim do poço,
só enxerga
quem ergue os olhos.

olhei e me vi,
ocupada pelo outro.
mas eu sou minha.

não quero mais partes,
sou minha.
território inexplorado,
espaço infinito,
tempo indefinido.

e meu.

fiz de mim meu território.
sou poeira de estrela,
espaço definido
de tempo infinito.

sou tudo que tenho,
e tudo que desejo ter.

11.3.14

mergulhar não é preciso

soltar para aprender,
desapreender,
ultrapassar a margem:
você é seu rio.

ninguém se afoga
nas águas de um mapa,
nem deixa de morrer
por um abraço.


30.9.13

bipolar de mim

se o abismo de dentro
se enche de mais profundidade,

se meus monstros abissais
se libertam em busca da superfície,

é hora de vestir meu escafandro,
e explorar o íntimo de minhas águas cheias de sal.

porque, se a profundidade anda a me sufocar,
é hora de me afundar mais uma vez,
e quem sabe atingir,
(já que não posso fingir)
entre monstros, lama e medo,
o outro lado de mim mesma.


18.4.13

XXV. seria eu findável?

observo a terra à vista.
tão extensa, excitante,
permissiva e apavorante,
como nunca aparentou
nesse ainda antes
de vinte e cinco.

já não me sinto infinita
como há meia ou uma década.

afinal, cá sou eu.
um ser à beira (e) limitado
por uma série de dermes,
entranhas, cravos e vermes,
vivendo dentro deste
pequeno espaço
de corpo.

portanto, se para ser
findável ou finita
é preciso estar sempre,
sempre, sempre,
vivendo no limite
(de si mesmo),
cá estou

descobrindo em
ciclos humanos
o mesmo limite:

existir é,
numa análise bem
simplista,
ocupar este espaço
(pedaço de carne ou
morada do espírito,
quem sabe),
enquanto o fôlego durar.

(somos todos infinitamente findáveis)

27.11.12

sabe

para l.n.
essa nuvem negra
que você sente agora
preenchendo os espaços
entre você e o mundo?
não tenha medo.

uma hora
ela vai embora.
(mas fique preparado:
vai embora, mas só por agora.)


21.11.12

perdi a poesia num voo desgovernado

se fiquei sem chão,
é porque precisava
- necessitava -
aprender
a voar.

19.9.12

fluxo interrompido

refluxo do meu tempo

de tanto que
resisto, desisto
apenas existo

poucas são as
vezes que
no caos da
inspiração persisto

já não ando percebendo
qualquer diferença
entre o gerundio
e o tempo
ou a vida
que me passa

18.6.12

reflexo-reflexão

o que é o reflexo, afinal: a imagem que se forma no espelho, a imagem que se forma a partir desta, em minha cabeça, ou seria eu mesma o reflexo? e isso aqui, que escorre pelos meus dedos, seria um reflexo das minhas reflexões, o que enxergo do que eu mesma escrevo, ou simplesmente minhas reflexões cruas?
penso que de forma alguma, neste momento, poderia afirmar qualquer uma dessas hipóteses. é preciso refletir, aqui e em mim mesma, cada vez mais.

5.6.12

consolação

a chuva desabou do céu, não menos que de repente, para a surpresa de todos. a água escorria para dentro do ônibus por baixo do rodapé da porta, culpa de uma típica preguiça de engenharia pública neste país, e inundava meu pensamento por completo. observava a dança da água no chão quando percebi que, em um daqueles momentos raros de encaixe do universo na própria existência, não é sempre que estou de mau humor.

23.4.12

check point #24.2

se por um lado
o coração
ainda toca
como gaita

pelo lado
de dentro
continua a
retumbar
aquele ruído
solitário

daquele
velho
estridente
e melancólico
violino

17.4.12

eu nunca fui poeta no inferno astral

pensar
criar
e imaginar

tão difícil
às vezes
combinar

19.3.12

canção culpada

diz-se certo por não duvidar de si mesmo,
ou vívido, por noites em claro
na solidão da própria loucura.

quanta vividez há, afinal,
em um corpo que só emite,
não transmite ou recebe
qualquer coisa alguma?

se a culpa é toda do outro,
só uma certeza reside
no corpo que sem a alma
afunda em profunda amargura.

o certo é que essa certeza,
somada ao excesso do eu-mesmo,
é a do vazio que ocupa o espaço
da falta da própria culpa.

13.3.12

é preciso se entregar

6.3.12

golfo da madrugada

vivo de encontro
ao alto

desacreditando
gravidade
intuindo
o futuro
precipitando
realidade
e abismando
no meu mundo

1.2.12

sob a onda da tristeza avistei o sol

cheguei ao fim da ladeira, de baixo para cima, e logo vi: ele de cara fechada, ela de costas para mim, um em direção ao outro. minha cabeça estava tão longe de onde eu estava que considero um golpe de sorte ter presenciado aquele encontro. os corpos dos dois se aproximaram, sem qualquer significação, e foi pensando nas angústias da minha alma que fixei os olhos naquela direção e me enchi de alguma emoção qualquer, bonita, confusa e um tanto invejosa: os ombros dos dois se tocaram e os seus rostos se viraram, se encararam. e sorriram, os dois, um para o outro. e pararam de caminhar, se olhando, simplesmente se olhando. ninguém poderia esperar nada daquele momento tão insignificante para o resto do mundo, mas por aquele sorriso, por aqueles olhos, tenho certeza que, ao menos para ele, todos os outros significados não importaram, e naquele momento, enquanto ninguém esperava nada, um mundo de expectativas passaram diante daqueles olhos, daqueles brilhantes e profundos olhos.

31.1.12

de bolso I

no ônibus de volta para o começo de tudo, uma lágrima escorre no vidro embaçado. será minha esta tristeza, ou de qualquer outro, sedento por uma trégua de qualquer parte deste agora?

27.1.12

desentendida

no fundo do peito
um buraco se abre
da culpa de estar
muito mais do que ser

no fundo da alma
queima a ânsia
de um dia, quem sabe
mais do que agora
na eternidade
ficar-padecer

3.1.12

sou um ótimo
pseudônimo
de mim mesma

22.12.11

concluo ao não dormir

só encontra
a beleza
da própria
vida

aquele que enxerga
a escuridão
dos próprios
olhos

4.11.11