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1.9.15

je ne suis pas une stooge

tenho sentido
- coração ainda
um tanto ressentido -
o infinito do meu ser
deliciosamente comprimido,
perfeitamente espremido,
neste pedaço de espaço
cosmologicamente
a mim escolhido.

tenho enfim,
- mas não tão
simples
assim -
o alívio
de caber
bem aqui
dentro de mim.

eu sou meu meio,
sou meu começo
e também meu próprio fim.

27.8.15

eu não estava aqui

cheguei faz pouco tempo
aqui
de novo.

é impressionante
o quanto pode levar
pra se desvirar
completamente do avesso.

7.1.15

eriçam-se os bulbos

por baixo da membrana
- fina camada -
um raio ultrapassa.

levanta o que por onde
passa,

transpassa.

carrega brisa fria e
rearranja:

postura,
pelos
pensamento.

(enquanto ponho abaixo
as pálpebras)
arrepia-me
o corpo inteiro.

30.12.14

stardust de mim

no fundo de tudo,
no fim do poço,
só enxerga
quem ergue os olhos.

olhei e me vi,
ocupada pelo outro.
mas eu sou minha.

não quero mais partes,
sou minha.
território inexplorado,
espaço infinito,
tempo indefinido.

e meu.

fiz de mim meu território.
sou poeira de estrela,
espaço definido
de tempo infinito.

sou tudo que tenho,
e tudo que desejo ter.

13.5.14

aprisionadamente

o pensamento
me escapa os limites.

sou toda mente.

é tanto pesar
ao pensar
que viver me parece
muito mais
um exercício de
nada mais
que somente
imaginar.

11.3.14

mergulhar não é preciso

soltar para aprender,
desapreender,
ultrapassar a margem:
você é seu rio.

ninguém se afoga
nas águas de um mapa,
nem deixa de morrer
por um abraço.


20.10.13

que dentro aqui trago.

descobri tudo:
eu sou uma farsa,
uma farsa assimétrica.

enquanto metade
de mim quer o mundo,
pra outra já basta
o isolado e esquisito
oceano profundo,



30.9.13

bipolar de mim

se o abismo de dentro
se enche de mais profundidade,

se meus monstros abissais
se libertam em busca da superfície,

é hora de vestir meu escafandro,
e explorar o íntimo de minhas águas cheias de sal.

porque, se a profundidade anda a me sufocar,
é hora de me afundar mais uma vez,
e quem sabe atingir,
(já que não posso fingir)
entre monstros, lama e medo,
o outro lado de mim mesma.


29.4.13

meu primeiro e lindo livro

não sei dizer se demorou mesmo, ou se é assim que as coisas são quando leva-se em consideração a tal da "hora certa". o fato é que, anos, pensamentos positivos, negativos, poesia, poética, tristezas, felicidades e algum dinheiro depois, enfim, meu primeiro livro saiu!
para quem estará em são paulo no dia 08 de maio, quarta-feira, a partir das 19h vou estar lindamente lançando o livro "Parte Eu Parte Outro", pela Dobra Editorial, lá no Canto Madalena. O livro está lindo, a felicidade anda maravilhosa, e você deveria vir dividir um pouco dessa imensa alegria comigo!


18.4.13

XXV. seria eu findável?

observo a terra à vista.
tão extensa, excitante,
permissiva e apavorante,
como nunca aparentou
nesse ainda antes
de vinte e cinco.

já não me sinto infinita
como há meia ou uma década.

afinal, cá sou eu.
um ser à beira (e) limitado
por uma série de dermes,
entranhas, cravos e vermes,
vivendo dentro deste
pequeno espaço
de corpo.

portanto, se para ser
findável ou finita
é preciso estar sempre,
sempre, sempre,
vivendo no limite
(de si mesmo),
cá estou

descobrindo em
ciclos humanos
o mesmo limite:

existir é,
numa análise bem
simplista,
ocupar este espaço
(pedaço de carne ou
morada do espírito,
quem sabe),
enquanto o fôlego durar.

(somos todos infinitamente findáveis)

27.11.12

sabe

para l.n.
essa nuvem negra
que você sente agora
preenchendo os espaços
entre você e o mundo?
não tenha medo.

uma hora
ela vai embora.
(mas fique preparado:
vai embora, mas só por agora.)


22.11.12

adeus tudo

adeus vida,
adeus mundo.

se me chamasse
raimundo
ou quem sabe maria
tanto faz
quanto tanto faria:

dizem que tudo
vai pelos ares
em menos de
trinta dias.

mas o que importa
se acaba ou fica
esta vida toda torta?

afinal, tanto faz.
os próximos dias,
entre a merda
e a alegria,
serão todos iguais:

morrendo um pouco
a cada dia,
querendo todo dia
um pouco mais.

21.11.12

perdi a poesia num voo desgovernado

se fiquei sem chão,
é porque precisava
- necessitava -
aprender
a voar.

16.10.12

não adianta buscar inspiração de olhos fechados.

11.10.12

alexofedrina (ou algo do tipo)

na pele
cujos restos
preenchem
a lacuna
entre o dedo
e a minha
unha

sinto apenas
a coceira:
que de toda
esta vida
(mas isso
ninguém explica)
tem sido a
verdadeira
loucura.

19.9.12

fluxo interrompido

refluxo do meu tempo

de tanto que
resisto, desisto
apenas existo

poucas são as
vezes que
no caos da
inspiração persisto

já não ando percebendo
qualquer diferença
entre o gerundio
e o tempo
ou a vida
que me passa

16.7.12

ruínas e flores secas

sustentado
por duas vigas
finas e fracas

certo piso
instável
balança e
bambeia

entre o quase
e a conclusão
de que um dia
essa merda
ao chão
desaba

e com o resto
que sobra
do sangue
inflamável
quem sabe
com a queda
incendeia

23.4.12

check point #24.2

se por um lado
o coração
ainda toca
como gaita

pelo lado
de dentro
continua a
retumbar
aquele ruído
solitário

daquele
velho
estridente
e melancólico
violino

17.4.12

eu nunca fui poeta no inferno astral

pensar
criar
e imaginar

tão difícil
às vezes
combinar

19.3.12

canção culpada

diz-se certo por não duvidar de si mesmo,
ou vívido, por noites em claro
na solidão da própria loucura.

quanta vividez há, afinal,
em um corpo que só emite,
não transmite ou recebe
qualquer coisa alguma?

se a culpa é toda do outro,
só uma certeza reside
no corpo que sem a alma
afunda em profunda amargura.

o certo é que essa certeza,
somada ao excesso do eu-mesmo,
é a do vazio que ocupa o espaço
da falta da própria culpa.