tenho sentido
- coração ainda
um tanto ressentido -
o infinito do meu ser
deliciosamente comprimido,
perfeitamente espremido,
neste pedaço de espaço
cosmologicamente
a mim escolhido.
tenho enfim,
- mas não tão
simples
assim -
o alívio
de caber
bem aqui
dentro de mim.
eu sou meu meio,
sou meu começo
e também meu próprio fim.
Mostrando postagens com marcador um. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador um. Mostrar todas as postagens
1.9.15
27.8.15
eu não estava aqui
cheguei faz pouco tempo
aqui
de novo.
é impressionante
o quanto pode levar
pra se desvirar
completamente do avesso.
aqui
de novo.
é impressionante
o quanto pode levar
pra se desvirar
completamente do avesso.
30.12.14
stardust de mim
no fundo de tudo,
no fim do poço,
só enxerga
quem ergue os olhos.
olhei e me vi,
ocupada pelo outro.
mas eu sou minha.
não quero mais partes,
sou minha.
território inexplorado,
espaço infinito,
tempo indefinido.
e meu.
fiz de mim meu território.
sou poeira de estrela,
espaço definido
de tempo infinito.
sou tudo que tenho,
e tudo que desejo ter.
no fim do poço,
só enxerga
quem ergue os olhos.
olhei e me vi,
ocupada pelo outro.
mas eu sou minha.
não quero mais partes,
sou minha.
território inexplorado,
espaço infinito,
tempo indefinido.
e meu.
fiz de mim meu território.
sou poeira de estrela,
espaço definido
de tempo infinito.
sou tudo que tenho,
e tudo que desejo ter.
14.5.14
dilaceramento
no centro do vulcão
um peito escorre em lava.
lava-me os olhos,
pedra derretida.
leva-me o corpo,
carne explosiva.
deixa-me os cacos,
faz-se partida.
um peito escorre em lava.
lava-me os olhos,
pedra derretida.
leva-me o corpo,
carne explosiva.
deixa-me os cacos,
faz-se partida.
11.3.14
mergulhar não é preciso
soltar para aprender,
desapreender,
ultrapassar a margem:
você é seu rio.
ninguém se afoga
nas águas de um mapa,
nem deixa de morrer
por um abraço.
desapreender,
ultrapassar a margem:
você é seu rio.
ninguém se afoga
nas águas de um mapa,
nem deixa de morrer
por um abraço.
20.10.13
que dentro aqui trago.
descobri tudo:
eu sou uma farsa,
uma farsa assimétrica.
enquanto metade
de mim quer o mundo,
pra outra já basta
o isolado e esquisito
oceano profundo,
eu sou uma farsa,
uma farsa assimétrica.
enquanto metade
de mim quer o mundo,
pra outra já basta
o isolado e esquisito
oceano profundo,
30.9.13
bipolar de mim
se o abismo de dentro
se enche de mais profundidade,
se meus monstros abissais
se libertam em busca da superfície,
é hora de vestir meu escafandro,
e explorar o íntimo de minhas águas cheias de sal.
porque, se a profundidade anda a me sufocar,
é hora de me afundar mais uma vez,
e quem sabe atingir,
(já que não posso fingir)
entre monstros, lama e medo,
o outro lado de mim mesma.
se enche de mais profundidade,
se meus monstros abissais
se libertam em busca da superfície,
é hora de vestir meu escafandro,
e explorar o íntimo de minhas águas cheias de sal.
porque, se a profundidade anda a me sufocar,
é hora de me afundar mais uma vez,
e quem sabe atingir,
(já que não posso fingir)
entre monstros, lama e medo,
o outro lado de mim mesma.
18.4.13
XXV. seria eu findável?
observo a terra à vista.
tão extensa, excitante,
permissiva e apavorante,
como nunca aparentou
nesse ainda antes
de vinte e cinco.
já não me sinto infinita
como há meia ou uma década.
afinal, cá sou eu.
um ser à beira (e) limitado
por uma série de dermes,
entranhas, cravos e vermes,
vivendo dentro deste
pequeno espaço
de corpo.
portanto, se para ser
findável ou finita
é preciso estar sempre,
sempre, sempre,
vivendo no limite
(de si mesmo),
cá estou
descobrindo em
ciclos humanos
o mesmo limite:
existir é,
numa análise bem
simplista,
ocupar este espaço
(pedaço de carne ou
morada do espírito,
quem sabe),
enquanto o fôlego durar.
(somos todos infinitamente findáveis)
tão extensa, excitante,
permissiva e apavorante,
como nunca aparentou
nesse ainda antes
de vinte e cinco.
já não me sinto infinita
como há meia ou uma década.
afinal, cá sou eu.
um ser à beira (e) limitado
por uma série de dermes,
entranhas, cravos e vermes,
vivendo dentro deste
pequeno espaço
de corpo.
portanto, se para ser
findável ou finita
é preciso estar sempre,
sempre, sempre,
vivendo no limite
(de si mesmo),
cá estou
descobrindo em
ciclos humanos
o mesmo limite:
existir é,
numa análise bem
simplista,
ocupar este espaço
(pedaço de carne ou
morada do espírito,
quem sabe),
enquanto o fôlego durar.
(somos todos infinitamente findáveis)
22.11.12
adeus tudo
adeus vida,
adeus mundo.
se me chamasse
raimundo
ou quem sabe maria
tanto faz
quanto tanto faria:
dizem que tudo
vai pelos ares
em menos de
trinta dias.
mas o que importa
se acaba ou fica
esta vida toda torta?
afinal, tanto faz.
os próximos dias,
entre a merda
e a alegria,
serão todos iguais:
morrendo um pouco
a cada dia,
querendo todo dia
um pouco mais.
adeus mundo.
se me chamasse
raimundo
ou quem sabe maria
tanto faz
quanto tanto faria:
dizem que tudo
vai pelos ares
em menos de
trinta dias.
mas o que importa
se acaba ou fica
esta vida toda torta?
afinal, tanto faz.
os próximos dias,
entre a merda
e a alegria,
serão todos iguais:
morrendo um pouco
a cada dia,
querendo todo dia
um pouco mais.
11.10.12
alexofedrina (ou algo do tipo)
na pele
cujos restos
preenchem
a lacuna
entre o dedo
e a minha
unha
sinto apenas
a coceira:
que de toda
esta vida
(mas isso
ninguém explica)
tem sido a
verdadeira
loucura.
cujos restos
preenchem
a lacuna
entre o dedo
e a minha
unha
sinto apenas
a coceira:
que de toda
esta vida
(mas isso
ninguém explica)
tem sido a
verdadeira
loucura.
19.9.12
fluxo interrompido
refluxo do meu tempo
de tanto que
resisto, desisto
apenas existo
poucas são as
vezes que
no caos da
inspiração persisto
já não ando percebendo
qualquer diferença
entre o gerundio
e o tempo
ou a vida
que me passa
de tanto que
resisto, desisto
apenas existo
poucas são as
vezes que
no caos da
inspiração persisto
já não ando percebendo
qualquer diferença
entre o gerundio
e o tempo
ou a vida
que me passa
16.7.12
ruínas e flores secas
sustentado
por duas vigas
finas e fracas
certo piso
instável
balança e
bambeia
entre o quase
e a conclusão
de que um dia
essa merda
ao chão
desaba
e com o resto
que sobra
do sangue
inflamável
quem sabe
com a queda
incendeia
por duas vigas
finas e fracas
certo piso
instável
balança e
bambeia
entre o quase
e a conclusão
de que um dia
essa merda
ao chão
desaba
e com o resto
que sobra
do sangue
inflamável
quem sabe
com a queda
incendeia
18.6.12
reflexo-reflexão
o que é o reflexo, afinal: a imagem que se forma no espelho, a imagem que se forma a partir desta, em minha cabeça, ou seria eu mesma o reflexo? e isso aqui, que escorre pelos meus dedos, seria um reflexo das minhas reflexões, o que enxergo do que eu mesma escrevo, ou simplesmente minhas reflexões cruas?
penso que de forma alguma, neste momento, poderia afirmar qualquer uma dessas hipóteses. é preciso refletir, aqui e em mim mesma, cada vez mais.
penso que de forma alguma, neste momento, poderia afirmar qualquer uma dessas hipóteses. é preciso refletir, aqui e em mim mesma, cada vez mais.
5.6.12
consolação
a chuva desabou do céu, não menos que de repente, para a surpresa de todos. a água escorria para dentro do ônibus por baixo do rodapé da porta, culpa de uma típica preguiça de engenharia pública neste país, e inundava meu pensamento por completo. observava a dança da água no chão quando percebi que, em um daqueles momentos raros de encaixe do universo na própria existência, não é sempre que estou de mau humor.
24.5.12
modo submarino
aqui estou eu, de novo, submersa, perguntando a mim mesma se todo mundo se afoga de vez em quando, talvez de quando em quando. eu não consigo saber, porque eu meio que estou sempre um tanto quanto submersa. talvez eu seja um submarino sem a carcaça vedada, e eu não consigo enxergar com toda essa água nos meus olhos. você consegue ver com água nos olhos?
aqui estou eu, de novo, tentando tirar toda essa água do meu corpo e colocando tudo isso sobre os ombros das palavras. se eu pudesse ser qualquer outra coisa, eu nunca seria uma palavra. e não posso nem ao menos pedir desculpas sem transformar todo o meu próprio universo em palavras.
mas isso não importa, de qualquer forma. eu não consigo ver alguma coisa, ou uma palavra, com toda essa água nos meus olhos. você consegue?
23.4.12
check point #24.2
se por um lado
o coração
ainda toca
como gaita
pelo lado
de dentro
continua a
retumbar
aquele ruído
solitário
daquele
velho
estridente
e melancólico
violino
o coração
ainda toca
como gaita
pelo lado
de dentro
continua a
retumbar
aquele ruído
solitário
daquele
velho
estridente
e melancólico
violino
17.4.12
6.3.12
golfo da madrugada
vivo de encontro
ao alto
desacreditando
gravidade
intuindo
o futuro
precipitando
realidade
e abismando
no meu mundo
27.1.12
desentendida
no fundo do peito
um buraco se abre
da culpa de estar
muito mais do que ser
no fundo da alma
queima a ânsia
de um dia, quem sabe
mais do que agora
na eternidade
ficar-padecer
um buraco se abre
da culpa de estar
muito mais do que ser
no fundo da alma
queima a ânsia
de um dia, quem sabe
mais do que agora
na eternidade
ficar-padecer
17.1.12
Assinar:
Postagens (Atom)