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14.5.14

dilaceramento

no centro do vulcão
um peito escorre em lava.

lava-me os olhos,
pedra derretida.

leva-me o corpo,
carne explosiva.

deixa-me os cacos,
faz-se partida.

13.5.14

aprisionadamente

o pensamento
me escapa os limites.

sou toda mente.

é tanto pesar
ao pensar
que viver me parece
muito mais
um exercício de
nada mais
que somente
imaginar.

11.3.14

mergulhar não é preciso

soltar para aprender,
desapreender,
ultrapassar a margem:
você é seu rio.

ninguém se afoga
nas águas de um mapa,
nem deixa de morrer
por um abraço.


29.4.13

meu primeiro e lindo livro

não sei dizer se demorou mesmo, ou se é assim que as coisas são quando leva-se em consideração a tal da "hora certa". o fato é que, anos, pensamentos positivos, negativos, poesia, poética, tristezas, felicidades e algum dinheiro depois, enfim, meu primeiro livro saiu!
para quem estará em são paulo no dia 08 de maio, quarta-feira, a partir das 19h vou estar lindamente lançando o livro "Parte Eu Parte Outro", pela Dobra Editorial, lá no Canto Madalena. O livro está lindo, a felicidade anda maravilhosa, e você deveria vir dividir um pouco dessa imensa alegria comigo!


16.7.12

ruínas e flores secas

sustentado
por duas vigas
finas e fracas

certo piso
instável
balança e
bambeia

entre o quase
e a conclusão
de que um dia
essa merda
ao chão
desaba

e com o resto
que sobra
do sangue
inflamável
quem sabe
com a queda
incendeia

12.7.12

la niña y la luna

ela
de cara comigo:
cabelos curtos,
charmosa,
os olhos pintados,
os cílios enormes,
e a boca
carmim,
meio que borrada,
meio que usada.

tentei perguntar, pensar,
compreender telepaticamente,
porque me olhava assim,
tão profunda e descarada.

porque ferve o meu sangue
- gritei para o céu -
e entope a minha alma,
estapeia a minha cara?

respondendo aos meus pedidos,
um sussurro conhecido
bem ao pé do meu ouvido:
- ironia do destino
mais absolutamente nada.

27.1.12

desentendida

no fundo do peito
um buraco se abre
da culpa de estar
muito mais do que ser

no fundo da alma
queima a ânsia
de um dia, quem sabe
mais do que agora
na eternidade
ficar-padecer

15.12.11

a dialética matinal de dezembro

desperto
na antiga encruzilhada
ao som de línguas de fumaça

espero
enquanto trago meu cigarro
da vida algum compasso

entre a
vontade
e o
desejo

equilíbrio, sintonia
ou pelo  menos espaço
para a ânsia do devir
vir a ser, enfim,
inteiro,
e não simplesmente
pedaço

17.10.11

estagnador de humor


se antes atingia o topo,
e a onda de outrora
tomava os pulmões,

separava os
braços ao lado do corpo
logo ali, no ápice

e voava de encontro ao fundo

para
ou cavar mais
com as unhas e os ossos
quebrados dos corpos
que ali ficavam,

ou tornar a escalar,
pouco a pouco,
pela livre e natural
sensação de vôo livre

hoje mal se pode encontrar
um medíocre monte,
(pelo bem da não-queda)

e esta meia escalada não seduz
ou ao menos convence

ou ilustra o poço como
mais atraente do que
esta miserável saltitação,

segura e cinzenta.