tenho sentido
- coração ainda
um tanto ressentido -
o infinito do meu ser
deliciosamente comprimido,
perfeitamente espremido,
neste pedaço de espaço
cosmologicamente
a mim escolhido.
tenho enfim,
- mas não tão
simples
assim -
o alívio
de caber
bem aqui
dentro de mim.
eu sou meu meio,
sou meu começo
e também meu próprio fim.
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1.9.15
30.9.13
bipolar de mim
se o abismo de dentro
se enche de mais profundidade,
se meus monstros abissais
se libertam em busca da superfície,
é hora de vestir meu escafandro,
e explorar o íntimo de minhas águas cheias de sal.
porque, se a profundidade anda a me sufocar,
é hora de me afundar mais uma vez,
e quem sabe atingir,
(já que não posso fingir)
entre monstros, lama e medo,
o outro lado de mim mesma.
se enche de mais profundidade,
se meus monstros abissais
se libertam em busca da superfície,
é hora de vestir meu escafandro,
e explorar o íntimo de minhas águas cheias de sal.
porque, se a profundidade anda a me sufocar,
é hora de me afundar mais uma vez,
e quem sabe atingir,
(já que não posso fingir)
entre monstros, lama e medo,
o outro lado de mim mesma.
18.4.13
XXV. seria eu findável?
observo a terra à vista.
tão extensa, excitante,
permissiva e apavorante,
como nunca aparentou
nesse ainda antes
de vinte e cinco.
já não me sinto infinita
como há meia ou uma década.
afinal, cá sou eu.
um ser à beira (e) limitado
por uma série de dermes,
entranhas, cravos e vermes,
vivendo dentro deste
pequeno espaço
de corpo.
portanto, se para ser
findável ou finita
é preciso estar sempre,
sempre, sempre,
vivendo no limite
(de si mesmo),
cá estou
descobrindo em
ciclos humanos
o mesmo limite:
existir é,
numa análise bem
simplista,
ocupar este espaço
(pedaço de carne ou
morada do espírito,
quem sabe),
enquanto o fôlego durar.
(somos todos infinitamente findáveis)
tão extensa, excitante,
permissiva e apavorante,
como nunca aparentou
nesse ainda antes
de vinte e cinco.
já não me sinto infinita
como há meia ou uma década.
afinal, cá sou eu.
um ser à beira (e) limitado
por uma série de dermes,
entranhas, cravos e vermes,
vivendo dentro deste
pequeno espaço
de corpo.
portanto, se para ser
findável ou finita
é preciso estar sempre,
sempre, sempre,
vivendo no limite
(de si mesmo),
cá estou
descobrindo em
ciclos humanos
o mesmo limite:
existir é,
numa análise bem
simplista,
ocupar este espaço
(pedaço de carne ou
morada do espírito,
quem sabe),
enquanto o fôlego durar.
(somos todos infinitamente findáveis)
27.11.12
sabe
para l.n.
essa nuvem negraque você sente agora
preenchendo os espaços
entre você e o mundo?
não tenha medo.
uma hora
ela vai embora.
(mas fique preparado:
vai embora, mas só por agora.)
22.11.12
adeus tudo
adeus vida,
adeus mundo.
se me chamasse
raimundo
ou quem sabe maria
tanto faz
quanto tanto faria:
dizem que tudo
vai pelos ares
em menos de
trinta dias.
mas o que importa
se acaba ou fica
esta vida toda torta?
afinal, tanto faz.
os próximos dias,
entre a merda
e a alegria,
serão todos iguais:
morrendo um pouco
a cada dia,
querendo todo dia
um pouco mais.
adeus mundo.
se me chamasse
raimundo
ou quem sabe maria
tanto faz
quanto tanto faria:
dizem que tudo
vai pelos ares
em menos de
trinta dias.
mas o que importa
se acaba ou fica
esta vida toda torta?
afinal, tanto faz.
os próximos dias,
entre a merda
e a alegria,
serão todos iguais:
morrendo um pouco
a cada dia,
querendo todo dia
um pouco mais.
19.9.12
fluxo interrompido
refluxo do meu tempo
de tanto que
resisto, desisto
apenas existo
poucas são as
vezes que
no caos da
inspiração persisto
já não ando percebendo
qualquer diferença
entre o gerundio
e o tempo
ou a vida
que me passa
de tanto que
resisto, desisto
apenas existo
poucas são as
vezes que
no caos da
inspiração persisto
já não ando percebendo
qualquer diferença
entre o gerundio
e o tempo
ou a vida
que me passa
12.7.12
la niña y la luna
ela
de cara comigo:
cabelos curtos,
charmosa,
os olhos pintados,
os cílios enormes,
e a boca
carmim,
meio que borrada,
meio que usada.
tentei perguntar, pensar,
compreender telepaticamente,
porque me olhava assim,
tão profunda e descarada.
porque ferve o meu sangue
- gritei para o céu -
e entope a minha alma,
estapeia a minha cara?
respondendo aos meus pedidos,
um sussurro conhecido
bem ao pé do meu ouvido:
- ironia do destino
mais absolutamente nada.
de cara comigo:
cabelos curtos,
charmosa,
os olhos pintados,
os cílios enormes,
e a boca
carmim,
meio que borrada,
meio que usada.
tentei perguntar, pensar,
compreender telepaticamente,
porque me olhava assim,
tão profunda e descarada.
porque ferve o meu sangue
- gritei para o céu -
e entope a minha alma,
estapeia a minha cara?
respondendo aos meus pedidos,
um sussurro conhecido
bem ao pé do meu ouvido:
- ironia do destino
mais absolutamente nada.
23.4.12
check point #24.2
se por um lado
o coração
ainda toca
como gaita
pelo lado
de dentro
continua a
retumbar
aquele ruído
solitário
daquele
velho
estridente
e melancólico
violino
o coração
ainda toca
como gaita
pelo lado
de dentro
continua a
retumbar
aquele ruído
solitário
daquele
velho
estridente
e melancólico
violino
26.3.12
onde não há aqui
o calendário pendurado na parede anunciava a chegada da semana santa, mas não se via sinal de ressurreição em lugar algum. homens e mulheres crucificados tomavam conta de sua visão turva, já desgastada pelo sol e pelo tempo, e a aridez de mais uma seca havia tomado não só suas terras e esperanças, mas invadira também o seu coração.
- todo ano é a mesma coisa.
- e nós devemos continuar esperando sempre o mesmo?
- não devemos, mas não temos escolha.
- mas a esperança não tem a ver com esperar algo melhor?
- a esperança nunca chegou até aqui.
de olhos fechados na rede velha e empoeirada, amarela como todo o cenário dentro e fora da janela, só podia pensar em uma única palavra: devastação. estava tudo devastado mais uma vez. só a apatia sobrevivia, ano após ano.
batendo seu pé na parede de barro, quente do sol, sentia uma leve brisa da rede balançando de um lado para o outro, enquanto alimentava a única espera - e não esperança - dentro de si: a espera pela morte breve, pelo alívio que só a morte traria. abriu seus olhos e encarou o calendário do ano de 2012 da parede. estaria mesmo em 2012, ou até o tempo havia esquecido daquele lugar?
- a ressurreição só existe em um calendário inventado. nem mesmo jesus lembraria desse pedaço esquecido de terra, e eu, já nem sei mais onde estou.
- todo ano é a mesma coisa.
- e nós devemos continuar esperando sempre o mesmo?
- não devemos, mas não temos escolha.
- mas a esperança não tem a ver com esperar algo melhor?
- a esperança nunca chegou até aqui.
de olhos fechados na rede velha e empoeirada, amarela como todo o cenário dentro e fora da janela, só podia pensar em uma única palavra: devastação. estava tudo devastado mais uma vez. só a apatia sobrevivia, ano após ano.
batendo seu pé na parede de barro, quente do sol, sentia uma leve brisa da rede balançando de um lado para o outro, enquanto alimentava a única espera - e não esperança - dentro de si: a espera pela morte breve, pelo alívio que só a morte traria. abriu seus olhos e encarou o calendário do ano de 2012 da parede. estaria mesmo em 2012, ou até o tempo havia esquecido daquele lugar?
- a ressurreição só existe em um calendário inventado. nem mesmo jesus lembraria desse pedaço esquecido de terra, e eu, já nem sei mais onde estou.
28.12.11
emergência
são tantas
desconclusões
nesses tais
de fins de ano
que o céu
se enche
de água
para acalmar
a multidão
de espíritos
esbaforidos
e
esperansiosos
pela mesma
coisa
de novo
desconclusões
nesses tais
de fins de ano
que o céu
se enche
de água
para acalmar
a multidão
de espíritos
esbaforidos
e
esperansiosos
pela mesma
coisa
de novo
24.12.11
novamente na maquete
faz-se cheia
a lua nova
sacode
quem é de terra
envolve
quem é de saudade
permeia
a alma e me leva
pra longe
longe
longe
a lua nova
sacode
quem é de terra
envolve
quem é de saudade
permeia
a alma e me leva
pra longe
longe
longe
13.12.11
hiato
o tempo respira
poesia
pra dentro de mim
maturo sobre o lápis,
atônito,
o meu peso penso
rumino cada grama
de agora
no que resta
de papel
em branco
e penso
que de uma vida
já passada
resta só
o nada
e do que vai
e não foi
tenho a mim
e o que estou
...
e a poesia
desapegada do grafite
passeia em complacência
com o
nem antes
e
nem depois
desaguando sobre o instante
desaparece
logo após cada presente
e abandona
a lida
a vida
e o poema
sem nunca nem sequer
ter se feito
existente
poesia
pra dentro de mim
maturo sobre o lápis,
atônito,
o meu peso penso
rumino cada grama
de agora
no que resta
de papel
em branco
e penso
que de uma vida
já passada
resta só
o nada
e do que vai
e não foi
tenho a mim
e o que estou
...
e a poesia
desapegada do grafite
passeia em complacência
com o
nem antes
e
nem depois
desaguando sobre o instante
desaparece
logo após cada presente
e abandona
a lida
a vida
e o poema
sem nunca nem sequer
ter se feito
existente
17.10.11
estagnador de humor
se antes atingia o topo,
e a onda de outrora
tomava os pulmões,
separava os
braços ao lado do corpo
logo ali, no ápice
e voava de encontro ao fundo
para
ou cavar mais
com as unhas e os ossos
quebrados dos corpos
que ali ficavam,
ou tornar a escalar,
pouco a pouco,
pela livre e natural
sensação de vôo livre
hoje mal se pode encontrar
um medíocre monte,
(pelo bem da não-queda)
e esta meia escalada não seduz
ou ao menos convence
ou ilustra o poço como
mais atraente do que
esta miserável saltitação,
segura e cinzenta.
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